As seis euro-cidades da Raia Ibérica reúnem-se com o AECT Rio Minho para intercambiar experiências
O encontro teve lugar na segunda sessão das jornadas sobre Políticas e instrumentos para o desenvolvimento do Rio Minho
As jornadas sobre “Políticas e instrumentos para o desenvolvimento do Rio Minho Transfronteiriço” organizadas pela Deputación de Pontevedra e o AECT Rio Minho, em colaboração com a Universidade de Santiago de Compostela, continuaram em Tomiño com um encontro de todas as euro-cidades da raia ibérica numa palestra moderada pelo diretor do AECT Galiza – Norte de Portugal, Xosé Lago.
A reunião permitiu conhecer em primeira mão os trabalhos desenvolvidos pelas seis entidades europeias da fronteira entre Espanha e Portugal e partilhar experiências no que diz respeito aos desafios que todas elas enfrentam.
A responsável de abrir a mesa foi a presidente da Euro-cidade do Guadiana e alcaldesa de Ayamonte, Natalia Santos, um caso muito similar ao do Rio Minho já que agrupa três cidades “unidas por um rio”. Depois foi a vez do alcalde de Badajoz, Francisco Javier Fragoso, em representação da Euro-cidade Badajoz-Elvas-Campo Maior, um exemplo de que “se sumamos e agregamos, somos muito mais fortes” explicou o estremenho, que fez finca-pé na necessidade de “Acabar com a mentalidade atual” de separar e “acabar com as fronteiras”.
Seguidamente, as quatro euro-cidades galego portuguesas, a da raia seca de
Chavés-Verín, representada pelo seu secretario executivo Pablo Rivera, e as três
do Rio Minho, com a alcaldesa de Tomiño, Sandra González, o alcalde de Tui,
Enrique Cabaleiro e o vice-presidente da Câmara Municipal de Monção, João
Oliveira, apresentaram os seus diferentes projetos.
A Cooperação Europeia no
mundo
A jornada também recolheu os relatórios dos especialistas em cooperação territorial, Martín Guillermo, secretario geral da Associação de Regiões Fronteiriças Europeias (ARFE – AEBR) e o coordenador da AEBR Global Initiative, José María Cruz, que deram a conhecer vários casos de sucesso de cooperação transfronteiriça dentro e fora da União Europeia.
Guillermo lembrou que “não há nada melhor para demostrar a alguns países se equivocam ao fechar as suas fronteiras, que mostrar o que se consegue quando as abrimos” e citou vários exemplos positivos de cooperação no âmbito da saúde como o do hospital de Badajoz, compartido com o município português de Elvas ou o famoso caso do Hospital de Cerdanya, em Girona, o primeiro verdadeiramente transfronteiriço de Europa.
Por seu lado, o coordenador da AEBR Global Iniciativa, José María Cruz,
relatou vários casos de cooperação transfronteiriça na américa latina, um território
onde “apesar de não haver uma visão continental pan-americana de cooperação transfronteiriça,
têm-se criado muitos projetos interessantes dos que também podemos aprender, e
nos que vemos encontramos os mesmos problemas que nas fronteiras europeias, mas
mais graves, já que por exemplo algumas situações de pobreza extrema nas zonas
periféricas dos países, uma crescente tensão ou problemas na gestão e exploração
de recursos naturais fronteiriços”.
Entre os casos latino-americanos, Cruz quis destacar, “pelas semelhanças
que pode ter com o caso do Rio Minho” o projeto do tramo médio do rio Uruguai,
entre a Argentina, o Uruguai e o Brasil, um dos mais conhecidos do continente pelos
seus resultados.


Baixo a coordinação da AECT Rio Minho, uma equipa de peritos e expertos das 6 universidades públicas do norte de Portugal e Galiza lideraram este trabalho, por o que os resultados contam também com um aval académico e tanto a nível institucional como social o resultado foi muito positivo”, segundo indicou o director da AECT Rio Minho e deputado de Cooperação Transfronteiriça da Deputação de Pontevedra, Uxío Benítez. “Realizaram-se até 10 encontros bilaterais entre câmaras municipais galegas e câmaras autárquicas portuguesas e numerosas reuniões de trabalho no que participaram os diferentes governos locais”, acrescentou.
Por último, o director da Fundação Centro de Estudos Euro Regionais, Valerià Paül, qualificou o processo de sucesso” e valorou a alta participação e envolvimento da sociedade civil. Paül adiantou que “trás estes meses de trabalho há muitas modificações no documento rascunho que se apresentou em I Fórum, o qual é uma magnífica notícia porque quer dizer que se debateu de verdade, e anunciou que se recolheram perto de uma centena de propostas que farão parte do ‘Plano de Acção do Rio Minho Transfronteiriço 2030’”.
O processo participativo da ‘Estratégia de Cooperação do Rio Minho Transfronteiriço 2030’ pretende chegar a toda a cidadania do território da raia e conhecer quais são as suas opiniões sobre como tirar rendimento de forma conjunta das potencialidades naturais e económicas que existem em ambas as duas margens. Para isso vem de pôr-se em marcha um inquérito virtual através da página web do projecto europeu Smart Minho -impulsionado pela Deputação de Pontevedra e, CIM Alto Minho e a Fundação CEER-.